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Rio, além de vitrine
 
06.02.2010 - 11h49
Fonte: Diário de Petrópolis
 
 
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      Rodrigo Maia
      
      
      O maior risco das eleições no Estado do Rio de Janeiro – agora, em 2010, como antes e para sempre – é os marqueteiros conseguirem transformar os candidatos a governador em candidatos a prefeito do Rio-Capital. E o pior que pode acontecer: os próprios eleitores do interior se deixarem fascinar por esses debates que os esquecem.
      Sim, porque, para os próprios cariocas (os moradores do Rio Capital) são poucos os problemas locais do Rio Capital que não dependem de soluções integradas, por exemplo, com as cidades da Região Serrana, especialmente Petrópolis.
      Aproveitei o período de férias (depois de reservar 15 dias para a família, sacrificada pela minha correria entre tanta viagens o ano inteiro e que não ficam apenas na rota Rio- Brasília) para uma boa rodada pelo Estado do Rio e montei uma boa agenda de questões em que as soluções vão vem além dos limites do Rio e da própria região metropolitana. Ao mesmo tempo, comprovei como a presença do governo estadual reduz-se e escasseiam à medida que nos afastamos da capital, onde as coisas já não funcionam, mas, pelo menos, geram registros nos jornais e TV e os conseqüentes protestos.
      Embora pareça sem originalidade, insisto na questão da saúde em que a descentralização (pequenos e bons hospitais gerais regionais são indispensáveis) não apenas é oportuna, mas também é prática e essencial, pois salva vidas nas emergências e evita que atenções menos complexas vão engrossar as filas calamitosas dos grandes hospitais centrais que, sobrecarregados, perdem o foco da excelência dos tratamentos altamente especializados. Idem na educação, que continua sendo um dos mais fortes argumentos do êxodo rural. (Basta uma pesquisa informal, conversando-se nas filas dos terminais de ônibus, para se comprovar.)
      Também as oportunidades de trabalho – é impressionante a lentidão com que se dá a fatal descentralização das atividades industriais, apesar do efeito demonstração exitoso de alguns pólos que se firmam no interior – mostram a fala de preocupação em encontrar e estimular as vocações regionais.Quem um exemplo? O turismo. No Rio, faz-se o contrário do que acontece no Pais, em que cada vez se abrem pólos regionais atraindo turistas estrangeiros. Pessoalmente, cada vez que viajo, mesmo apressado, pelo interior fluminense, fico impressionado com paisagens e atrações que mereciam não apenas divulgação, mas prestígio e planejamento estratégico.
      Faço esses registros apenas para uma alerta: em 2010 vamos escolher um governador que veja, sinta e pense no Rio de Janeiro como um todo, um complexo, com 92 municípios, espalhados por 18 microrregiões bem delimitadas e que somos 16 milhões de habitantes (mais de três vezes a população da capital).
      Portanto, exijamos planos e projetos que considerem o Rio como um todo, integrado, o que não é apenas mais racional e prático, mas politicamente essencial.
      

 
 
 
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